Um texto com este título foi escrito por Aleister Crowley no início do século XX criticando diretamente os objetivos efêmeros da maior parte dos homens. Crowley foi um estudioso de ocultismo e referência para músicos e cineastas, incluindo Jimmy Page, Alan Moore, Bruce Dickinson, Ozzy Osbourne, Raul Seixas, Marilyn Manson e Kenneth Anger.
Não julgo a credibilidade do autor e nem condeno a sua filosofia ou magia, mas apenas quero interpretar este trecho de sua obra em vida.
Aleister se permite idealizar o que o presente não alcança, e o que as limitações atuais tornam intangíveis. Nossos ideais devem ser de natureza momentaneamente desconhecida e não podem ser alcançados com sacrifício que nos debilite, pois desta forma se tornarão ônus e, portanto, não nos satisfarão plenamente.
Nosso ideal deve ser algo absurdamente estupendo, algo inimaginável e dificilmente alcançado. Mas que valha a pena e que quando alcançado não se compare com o sacrifício realizado para tê-lo.
Paulo em sua primeira carta aos Coríntios descreveu a silhueta do ideal perfeito para todo o ser humano: "As
coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao
coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam." 1 Cor 2:9
O que é isso, eu ainda não concebi. Mas me satisfaço com a esperança de algo maravilhoso reservado àqueles que fazem o bem.
Tenho nojo do ideal de pessoas que barganham com deus (Mamom) por ideais tão indignos como independência financeira, bens materiais, solução de problemas, etc. Elas precisam aprender com o satanista Aleister Crowley o que realmente é importante para o ser humano.
Talvez o mago não soubesse nem o que estava idealizando, mas sua busca é legítima e seu texto contundente e atual até que o sonho de Paulo se idealize.
O efêmero é ideal de tolos e de gente pequena, que não vale a pena. O sábio tem na eternidade o palco de suas projeções e esta é a realidade prometida por Cristo. Façamos o bem!
Paz e prosperidade a todos!
Abaixo o texto citado:
A Busca Suprema do Homem
Existe a
história de um homem que praticou durante quarenta anos como atravessar o
Rio Ganges caminhando sobre as águas; e tendo finalmente atingido este
poder, foi censurado pelo seu Santo Guru, que lhe disse: "Você é mesmo
um tolo. Todos os seus vizinhos atravessam este mesmo rio, diariamente,
por apenas duas moedas".
Isto
acontece com a maioria das pessoas, e possivelmente, a todos nós, em
nossas carreiras. Passamos por infinitas dificuldades para aprender
algo, para atingir um objetivo, que quando alcançado, parece não
possuir nem mesmo a sombra do nosso desejo original. (Não tem mais
graça, tornou-se insípido. Não valeu a pena tanto esforço).
Porém,
esta é uma postura errônea. A disciplina necessária para aprender Latim
nos será muito útil quando desejarmos fazer outra coisa completamente
diferente.
No
Colégio, nossos professores nos censuravam, quando não fazíamos as
coisas corretas; quando deixamos o colégio, se não tivermos aprendido a
nos censurar, não teremos aprendido nada.
De
fato, o único perigo é que avaliemos o resultado por si só. O menino
que se orgulha de seus conhecimentos acadêmicos corre o perigo de
tornar-se um burocrático professor universitário.
Da
mesma maneira, o Guru do discípulo que andava sobre as águas, só queria
dizer que agora era a hora dele ficar insatisfeito com o que havia
conseguido e passar a empregar os seus poderes em algo bem maior.
Uma
pessoa não é capaz de dizer quando um fio, de uma determinada cor, será
tecida no tapete do Destino. Somente quando o tapete está pronto e que o
observamos de uma distância adequada, é que nos tornamos conscientes de
que aquela cor, naquele exato ponto, é imprescindível.
Então, aonde fica o livre arbítrio? Tudo não passa de uma fatalidade?
Tais especulações estão um pouco acima deste nosso limitado panorama.
Não
é muito importante conjecturar que a pulga e o elefante não poderiam
ser diferente do que são; porém, percebemos que um é maior que o outro.
Na prática, é isto que vale.
Todos
sabem que se pode treinar as pessoas para que possam fazer coisas que
não fariam sem o devido treino e qualquer um que nos diga que não se
pode ensinar uma pessoa, se não está escrito no livro do seu destino ser
treinado, simplesmente, não está sendo prático.
Da mesma forma, treinar é o destino do treinador.
Existe
um engano em todos os argumentos das filosofias deterministas, muito
parecido com o engano contido nos métodos matemáticos de previsão de
apostas nas roletas. Se a probabilidade é de três para um para que a
bolinha caia no vermelho duas vezes consecutivas; quando o vermelho sai
pela primeira vez, as condições mudam.
Seria
inútil ficar discutindo este assunto se não fosse pelo fato de que,
muitas pessoas, confundem a Filosofia com a Magia. A Filosofia é uma
inimiga da Magia. A Filosofia nos ensina que, depois de tudo, nada tem
importância, e que "che sará sará".
Na
vida prática, e a Mágicka é a mais prática Arte da Vida, esta
dificuldade não ocorre. É inútil discutir com um homem que está correndo
atrás de um trem que está destinado a perder; ele simplesmente corre e
se pudesse falar naquele momento diria: "Ao inferno com o destino".
Já
disse anteriormente que a Vontade Verdadeira deve estar dirigida para
uma realização mais elevada. Antigamente, era ambição de cada menino
ser maquinista quando se tornasse adulto. Alguns conseguiram e lá
ficaram por toda a vida.
O
homem de negócios, por exemplo, deseja a comodidade e o bem estar e com
este propósito vai, todos os dias, ao escritório e é um escravo debaixo
do mais cruel dos chefes (que muitas vezes está na sua lista de
pagamentos). Um dia ele se aposenta e tristemente, dá-se conta de que a
sua vida está vazia. O fim foi engolido pelo meio...
Todas as possessões, sejam elas materias ou espirituais, são apenas pó.
Somente é feliz aquele que deseja o inatingível.
Aleister Crowley
1 Coríntios 2:9